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A SOCIEDADE PATRIARCAL EM XEQUE: O FANTÁSTICO FEMININO QUESTIONANDO OS ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO
Última alteração: 2023-03-17
Resumo
Este trabalho se insere na temática relações de gênero, no tocante ao feminismo e ao empoderamento da mulher. Analisamos o conto “Mujeres desesperadas”, de Samanta Schweblin, que se inscreve no denominado “fantástico feminino”, que busca questionar os padrões culturais impostos historicamente às mulheres, rompendo com os estereótipos enraizados na nossa sociedade. Entende-se o fantástico aqui a partir da concepção de Rodero (2006), para quem esse gênero narrativo se caracteriza pelo surgimento no cotidiano de elementos “impossíveis” que questionam a lógica racional e criam um âmbito no qual o indizível e o desconhecido jogam ironicamente com nossos preconceitos culturais e nossas restrições psicológicas. Buscou-se estudar como o irreal se configura como transgressão com respeito aos valores patriarcais masculinos e entender como o fantástico causa estranhamento no leitor. Percebe-se que o conto desconstrói o estereótipo do casamento como destino único da mulher, ao ironizar, de modo subversivo, o que a sociedade patriarcal espera dela: silêncio e resiliência. Com humor, a autora constrói um conto em que o fantástico se insere como elemento que causa medo e estranhamento, ao configurar um mar de mulheres abandonadas, “loucas” e agressivas.
Palavras-chave
fantástico; feminismo; Samanta Scweblin; casamento; empoderamento feminino
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